Artista alemão homenageia a Operação Prato com sua arte

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Artista alemão homenageia a Operação Prato com sua arte
Frank J. Schäpel. Foto: © Katinka Schütt 2015

A Operação Prato, para aqueles que não sabem, como descrita pela Wikipedia, “foi uma investigação militar realizada pelo Primeiro Comando Aéreo Regional – I COMAR, órgão da Aeronáutica brasileira sediado em Belém, capital do Pará, entre os meses de outubro e dezembro de 1977, para investigar o aparecimento e movimentação dos chamados Objetos Voadores Não Identificados – OVNI, nos municípios de Vigia, Colares e Santo Antônio do Tauá, além de estranhos fenômenos associados ao corpos luminosos não identificados, chamados pela população de “chupa-chupa”, relativos a ataques com raios de luz, causadores de queimaduras, perfurações na pele e mortes. Documentos oficiais guardados no Arquivo Nacional em Brasília e documentos extraoficiais vazados e divulgados pela mídia são os principais registros do período. Também envolveram-se nas investigações dos fenômenos os extintos Serviço Nacional de Informações – SNI e o Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica – CISA.

Certamente, este se trata de um dos casos mais importantes da ovnilogia mundial, com várias testemunhas alegando terem sido afetadas por esses objetos misteriosos e com os militares conseguindo fotos e outros dados, alguns ainda mantidos em segredo.

Mas o que nos trás de volta a esse evento que ocorreu no final da década de 70 é o fato do artista alemão Frank J. Schäpel, também entusiasta da ovnilogia, ter dedicado alguma de sua arte à Operação Prato. Em 2016 Schäpel foi até Belém e Fortaleza onde apresentou sua arte em exposição. E agora o nosso leitor e colaborado Marcelino Melo o entrevistou via e-mail e nos trouxe o resultado de sua entrevista, bem como algumas fotos de sua arte, que podem ser vistas ao final do artigo.

Veja a entrevista abaixo:

Marcelino: Como começou seu interesse pela Operação Prato?

Frank J Schäpel: Em 2010, comecei a estudar seriamente a literatura OVNI e encontrei discussões sobre a Operação Prato nos livros de Illobrand von Ludwiger e Jacques Vallee. Essas referências despertaram minha curiosidade. Li ‘UFO Danger Zone‘ de Bob Pratt e os poucos artigos em inglês disponíveis – especialmente os textos FSR de B. Pratt e Daniel Rebisso Giese, as transcrições da entrevista com Coronel Uyrangê Hollanda e Wellaide Cecim.

M: Como surgiu a ideia de fazer uma exposição artística com pinturas baseadas nos documentos da Operação Prato? Foi em 2016?

FJS: Em 2016, um curador do Instituto Goethe me pediu para mostrar trabalhos em Belém e Fortaleza. Sugeri criar uma nova série de desenhos e pinturas sobre a Operação Prato. Queria homenagear a importância da onda OVNI de 1977/78 no norte do Brasil e convidar o público brasileiro a revisitar ‘sua história’ e comunicar suas opiniões em um questionário. Felizmente, o convite foi amplamente aceito. Dezenas de questionários foram preenchidos (mais de 200) e a equipe do Museu de Arte Contemporânea de Fortaleza organizou uma discussão no pódio sobre a Operação Prato.

Nota 1: Interessado na perspectiva dos telespectadores, forneci-lhes um questionário (formulário em anexo). Foram devolvidos mais de 200 formulários em Belém (119) e Fortaleza (117) – embora muitos desses questionários não tenham sido preenchidos corretamente e dezenas pareçam totalmente sem sentido. Infelizmente, não encontrei tempo para avaliar esses formulários até o momento, mas quero conseguir este ano. Posso pedir a tradução/ou transcrição de algumas frases?

Nota 2: Para minha decepção, não pude viajar pessoalmente para Belém. Não havia orçamento para os custos de voo.

Um dos questionários preenchidos (se o arquivo não aparecer, selecione “View Fullscreen“):

M: Você tem novas pinturas além do retrato do coronel Hollanda? Você pretende fazer uma exposição artística?

FJS: Em 2019, iniciei uma nova série de pinturas que focam nos incidentes e desenvolvimentos ignorados ou tabu, mas significativos, de nossos dias atuais. O assunto principal é o fenômeno OVNI com retratos de pesquisadores e testemunhas, bem como a representações de possíveis fenômenos relacionados aos OVNIs, como mutilações de gado. Um tópico adicional é o fenômeno acumulativo das aparições marianas. Também são abordadas várias realidades sociais e políticas subnoticiadas. Com essa ampla gama de tópicos, desejo desenvolver uma história alternativa de nosso tempo – com ênfase em narrativas comumente rejeitadas.

E sim, definitivamente pretendo exibir esses trabalhos.

Nota 1: Se os planos para uma exposição se tornarem mais concretos, informarei. Devido à distância entre a Alemanha e o Brasil, os custos de transporte podem ser um obstáculo/problema para uma exposição no Brasil (- o mesmo vale para as vendas.) Mas estou aberto a ambos!

Nota 2: Alguns desses novos trabalhos – como retratos de Jacques Vallee ou Allen Hynek – podem ser encontrados no meu site. Por exemplo. http://frankschaepel.de/malerei_12.html

M: Como você entende a importância do valor histórico da Operação Prato para o campo de estudos sobre fenômenos aéreos anômalos?

FJS: Eu acho que a Operação Prato é da maior importância. Existem vários aspectos intrigantes sobre a Operação Prato e a onda: 1. a natureza agressiva das aparições/ataques das naves; 2. os ferimentos graves de várias testemunhas e animais daí resultantes; 3. o grande número desproporcional de casos de ‘alta estranheza’ (de acordo com Hollanda); 4. a oportuna exploração governamental oficial dos fenômenos pela Força Aérea Brasileira – não depois, mas durante a onda OVNI.

Casos de alta estranheza ou formas intensas de ‘contato’ podem nos ensinar muito sobre o fenômeno OVNI e seus limites. Além da onda de 1977/78 nos pontos quentes do norte do Brasil, o ‘Skinwalker Ranch‘ em Utah, o ‘Rocky Mountain Ranch’ no Colorado ou a Floresta Hoia Bacu na Romênia exibem uma grande variedade de fenômenos anômalos e podem nos ajudar a verificar ou refutar nossa presentes teorias de origem, significado e funcionamento dos OVNIs.

A operação Prato provoca muitas perguntas. Aqui, eu só quero enfatizar duas dessas perguntas: 1. Em geral, o fenômeno OVNI parece ser global por natureza. Mas fenômenos especiais como a mutilação de gado ou os ataques de raios contra os cidadãos no Pará e no Maranhão parecem estar distribuídos de maneira totalmente irregular. Por que temos uma alta concentração de confrontos com OVNIs extremamente agressivos no Brasil e na América do Sul (com um pico no retalho de OVNIs de 1977/78) que não vemos em outro lugar? 2. Existe uma conexão entre os ataques de raios no norte do Brasil e o fenômeno da mutilação de gado nas Américas e no Reino Unido?

M: Você acredita que a Operação Prato é bem divulgada na Europa e nos EUA? Ou ainda é um evento desconhecido para a grande maioria das pessoas interessadas em OVNIs, na sua opinião?

FJS: Na Europa, a Operação Prato é bem conhecida – para não dizer “infame” – entre os pesquisadores de OVNIs bem estudados. No entanto, se você falar sobre “entusiastas de OVNIs”, o quadro é diferente: existem muitos europeus que não têm absolutamente nenhuma ideia sobre o que aconteceu no delta da Amazônia em 1977/78. Além de breves notas e resumos da Operação Prato, a literatura disponível para pesquisadores de língua não portuguesa é extremamente limitada. O livro de Bob Pratt e os artigos de FSR parecem fornecer as informações mais detalhadas disponíveis em inglês.

Portanto, Illobrand von Ludwiger me pediu para resumir minhas descobertas sobre Operatio Prato na conferência do IGAAP em 2017. Está planejado publicar este resumo no quarto relatório do IGAAP (em alemão).

Nota 1: Há uma tendência na Europa de se concentrar na situação/casos nacionais e nos EUA. Portanto, casos brasileiros e asiáticos ou mesmo do leste europeu geralmente não são muito conhecidos. Se existe uma barreira linguística – como existe entre a Alemanha e a Polônia, por exemplo – as informações de casos que ocorreram a apenas alguns quilômetros de distância em países vizinhos geralmente permanecem mais ou menos desconhecidas.

Nota 2: Para mim, foi uma experiência bastante frustrante encontrar várias entrevistas de Hollanda e testemunhas, além dos documentos oficiais publicados e vazados da Força Aérea em português e saber que eu realmente não podia acessá-los.

M: Qual a sua opinião sobre a natureza dos fenômenos observados pelos militares brasileiros na ilha de Colares PA em 1977 e 1978 durante a Operação Prato?

FJS: Com base nas fontes disponíveis para mim – acho que as observações dos militares são autênticas e os objetos e efeitos documentados são reais. Além disso, acho que os objetos foram controlados de maneira inteligente – provavelmente a partir das entidades descritas pelas testemunhas em relação a ataques e avistamentos de OVNIs. As ações e o comportamento das naves e da inteligência implicam uma agenda agressiva ou hostil? Eu acho que isso é pelo menos uma possibilidade. A total ignorância ou indiferença aos valores e sentimentos humanos seria outra explicação possível para todo o terror.

O grande interesse que Hal Puthoff, TTSA e outros demonstraram na Operação Prato confirma minha avaliação: a Operação Prato não deve ser negligenciada.

Na minha opinião, não devemos ver a onda como uma ocorrência singular – apesar de toda a sua ‘especialidade’ -, mas como uma forma altamente concentrada de fenômenos que testemunhamos também em outros lugares do planeta – embora menos massiva em concentração, número, estranheza e Intensidade.

Nota 1: refiro-me à observação de Hal Puthoff em seu discurso de junho de 2018 na SSE/IRVA Conference em Las Vegas: “Bem, isso nos ajudou a entender. Nós, como parte deste programa, analisamos alguns casos realmente bons do Brasil. Em 1977, 78, era como encontros imediatos do terceiro grau. Mil páginas de documentos, todos feitos pela equipe de investigação da Força Aérea Brasileira, 500 fotografias, 15 horas de filme, muitos ferimentos médicos. Esta é uma lista dos diferentes tipos de lesões médicas que ocorreram quando as pessoas encontraram essas naves de perto, e há alguma sobreposição com os casos que investigamos durante o programa de lesões ocorridas”. (Citação completa em https://paradigmresearchgroup.org/2018/06/12/dr-hal-puthoff-presentation-at-the-sse-irva- conference-las-vegas-nv-15-june-2018 /)

M: Que mensagem você gostaria de enviar aos pesquisadores brasileiros que se dedicam ao estudo da Operação Prato e tentam desvendar os mistérios que envolvem os OVNIs em Colares?

FJS: Minha mensagem para o pesquisador brasileiro é um alto: “Kudos!” [Congratulações!] Você está fazendo um trabalho importante que deve ser continuado. Embora muitas memórias de testemunhas já tenham se transformado ou enfraquecidas; embora alguns sites e documentos importantes já possam ser perdidos ou alterados ou escondidos – esta pesquisa agora é mais importante do que nunca – porque a janela de tempo para entrevistas com testemunhas será fechada em breve. Eu sei da frustração que reside na pesquisa de casos de décadas. Mas todos os dados que não são gerados agora serão perdidos para sempre. Por isso, sugiro coletar e documentar também os ‘efeitos colaterais’, ‘contos’ e ‘eventos não relacionados’ nas proximidades diretas dos locais de OVNIs e na vida de testemunhas de OVNIs.

M: As pinturas que homenageiam a Operação Prato estão à venda?

FJS: Sim, elas estão.

Veja algumas das pinturas:

Artista alemão homenageia a Operação Prato com sua arte
@F. J. Schäpel: Operação Prato / 2016. Museu de Arte Contemporânea Fortaleza
Artista alemão homenageia a Operação Prato com sua arte
©F. J. Schäpel: Coronel Uyrangê Hollanda / 2020 / pintura a óleo 80 x 80 cm
Artista alemão homenageia a Operação Prato com sua arte
©F. J. Schäpel: Firmino Souza mostra queimaduras sofridas durante um encontro com OVNI (?) na Ilha dos Caranguejos, Maranhão, Brasil 25.4.1977 / pintura a óleo / ~30 x 32 cm / 2019
F. J. Schäpel: Jose Cosmo, que teve encontros prejudiciais com OVNIs em 1975 e 1984.
Parnarama no Maranhão, Brasil /2016 / pintura a óleo 42,5 x 32 cm
©F. J. Schäpel: Jose Benedito Bogea descreve sua experiência de abdução alienígena.. Pinheiro, Maranhao, Brasil 1977 / 2016 / pintura a óleo 51 x 29,5 cm

Nossos agradecimentos ao Frank J. Schäpel pela permissão de divulgação de sua entrevista e arte e ao Marcelino Melo por tê-lo entrevistado e enviado o material ao OVNI Hoje.

n3m3

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