Japão bombardeou asteroide no espaço profundo. O que encontraram?

Tempo de leitura: 2 min.

A Agência Espacial Nacional Japonesa (JAXA) fez sua sonda Hayabusa-2 – que está em órbita ao redor de Ryugu – bombardear o asteroide que orbita o Sol a cerca de 300 milhões de quilômetros da Terra, a fim de desenterrar algum material de sua superfície para estudá-lo. Ryugu orbita o Sol entre a órbita da Terra e Marte.

Japão bombardeou asteroide no espaço profundo. O que encontraram?
Crédito de imagem: JAXA.

A sonda lançou uma ‘bomba’ de cobre do tamanho de uma bola de tênis, criando uma cratera na superfície do asteroide.

Agora, a JAXA revelou que o bombardeio do asteroide revelou detalhes impressionantes sobre a rocha espacial, revelando, entre outras coisas, sua composição e idade.

O impacto produzido pelo Small Carry-on Impactor (SCI)  criou uma cratera na superfície de Ryugu, com aproximadamente 10 metros de diâmetro. O projétil, cujo peso era de apenas dois quilos, foi disparado a uma velocidade de 2 km/s. A sonda lançou o SCI em 5 de abril de 2019.

O resultado foi uma coluna de material ejetado que foi capturado pela espaçonave enquanto voava sobre a nuvem de detritos.

A análise dos detritos coletados pela sonda, realizada por cientistas da Universidade de Kobe e publicada na Science, sugere que a superfície de Ryugu tem cerca de 8,9 milhões de anos, enquanto outros modelos sugerem que a superfície do asteroide pode ter até 158 milhões de anos.

Os cientistas dizem que, embora o Ryugu seja feito de materiais de até 4,6 bilhões de anos, o asteroide poderia ter se fundido com os restos de outros asteroides quebrados há cerca de 10 milhões de anos, explicou Masahiko Arakawa, pesquisador principal do estudo.

Além disso, os cientistas sugerem que a superfície de Ryugu é feita de um material livre de coesão, semelhante à areia solta.

O número e tamanho de crateras detectadas em asteroides como o Ryugu pode ser usado em estudos subsequentes para determinar a idade e as propriedades da superfície dos asteroides.

No entanto, esses estudos exigem uma compreensão geral da natureza da formação de crateras – as leis da escala de crateras – que geralmente são derivadas de experimentos de laboratório ou simulações numéricas.

Arakawa e colegas usam observações do experimento de impacto da SCI para testar as leis da escala de crateras e obter dados novos e sem precedentes da superfície de Ryugu.

Eles descrevem a cratera de impacto artificial como semicircular com uma borda elevada, um orifício central e um padrão de ejeção assimétrico, talvez devido à presença de uma grande rocha enterrada perto do ponto de impacto.

Os resultados sugerem que a cratera cresceu no regime de gravidade, onde o tamanho da cratera é limitado pelo campo gravitacional local, uma descoberta que, de acordo com os autores do novo estudo, tem implicações para estimativas da idade da superfície de asteroides.

A sonda Hayabusa2 chegou ao asteroide próximo à Terra (162173) Ryugu em junho de 2018, descobrindo que este asteroide de um quilômetro de comprimento está coberto de rochas com tamanhos de até 160 metros.

A superfície é coberta com uma camada de regolito composta de rochas e grânulos.

Hayabusa2 não está mais em órbita ao redor do asteroide Ryugu. Após uma missão bem-sucedida, a JAXA ordenou que a sonda iniciasse sua jornada de volta à Terra em novembro de 2019. Espera-se que a sonda entregue o material que coletou do asteroide aos cientistas da Terra.

(Fonte)


n3m3

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