O tema UFO em sala de aula

Tempo de leitura: 9 min.

Por Wilson Geraldo de Oliveira

O fenômeno UFO(1) é por excelência um tema que possibilita ao indivíduo falar dos referenciais humanos envolvendo os grandes modelos de compreensão do mundo, ciência e religião. Ele não é apenas um fenômeno que aguarda uma explicação científica. É isso e muito mais. É objeto de experiências profundamente impactantes e perturbadoras.

O tema UFO em sala de aula
Crédito: laasu.org/Pexels

As expectativas sociais em relação ao fenômeno e as interpretações que dele decorrem apontam muito fortemente para a hipótese de origem extraterrestre (2). No entanto, esta condição de hipótese “ad aeternum” face a ausência de confirmação científica para a natureza e origem do fenômeno, funciona como camuflagem, tal como o é também o termo OVNI/UFO para as milhares de experiências de interações vividas mundo afora.

Temos encontrado professores(as) de primeiro e segundo graus e também de universidades, que com certa frequência, deparam-se com situações embaraçosas dentro de sala de aula, diante de questionamentos dos seus alunos acerca da existência, natureza e origem dos Ufos. Situações nas quais, o(a) professor(a) evita levar adiante a discussão, não por desconhecer o assunto, mas, por entender tratar-se de assunto metafísico de alta complexidade ou afeito a religião, ou ainda sob o pretexto de que o assunto gera muita polêmica e as discussões confundem mais do que esclarecem. Além do mais, dizem alguns, nada têm a ver com o conteúdo programático previsto.

É até certo ponto compreensível tais posicionamentos, embora não sejam coerentes com uma perspectiva crítica da educação.

OVNI/UFO – uma temática interdisciplinar

Trata-se de um tema cuja reflexão exige o exercício da interdisciplinaridade com a participação de diversas áreas do conhecimento além das disciplinas constituídas. A filosofia e as ciências sociais de um modo geral, possuem ferramentas necessárias e fundamentais para auxiliar as demais disciplinas no avanço da reflexão sobre o tema. Além disso, os questionamentos dos alunos estão baseados, ou quase sempre influenciados pela arte cinematográfica de gênero ficcional, produzida nestes últimos 50 anos. Esta arte por sua vez, procura em grande medida, imitar o assombro das experiências ufológicas concretas, já amplamente difundidas pelos cada vez mais sofisticados meios de comunicação do mundo moderno. Por isso trazem consigo o atraente slogan “baseado em fatos reais”.

Os referenciais humanos foram drasticamente alterados nas últimas décadas. De tal forma que os conceitos utilizados para dar significado a estes novos referenciais, tanto no que tange à provocação advinda dos avanços da tecnologia espacial quanto aquelas advindas da experiência com o fenômeno UFO, ou não fizeram parte da formação dos professores ou ainda não foram assimilados pela maioria deles. Isso parece explicar a existência de justificativas no sentido de escapar do contato com o assunto em sala de aula.

Os professores em praticamente todos os níveis de ensino, do fundamental ao superior, continuam isolados nas suas disciplinas e dificilmente sairão desse isolamento, sem que haja um certo esforço institucional. Assim sendo, em prejuízo da excelente oportunidade de refletir com seus alunos sobre os seus referenciais, continuarão a atribuir ao tema UFO o qualificativo de “assunto afeito a religião”, estereotipando-o e às suas testemunhas, como objeto exclusivo de experiências místicas e religiosas. Como se todos que vêm UFO/OVNI fossem fanáticos religiosos ou simplesmente malucos.

Aspectos religiosos, místicos, esotéricos, de fato fazem parte do contexto social em que atuam ufófilos e ufólogos. Nem por isso o tema deve ser posto de lado, pelo contrário, são aspectos dessa polifonia interpretativa exigindo dos pesquisadores um olhar mais atento e por vários ângulos. Não é motivo para fazer desses préjulgamentos justificativas para o distanciamento do assunto. Incluir no mesmo debate os posicionamentos religiosos e científicos enriquece ainda mais a abordagem interdisciplinar para o tema.

O grupo ufológico como comunidade de investigação

Na ausência de uma participação institucional sobre o tema UFO, nos últimos 80 anos o “Grupo de estudos ufológicos”, enquanto forma de organização, preencheu essa lacuna. Constituiu-se para ufólogos e ufófilos, mais que uma sala de aula, um laboratório social. Neste espaço constituído a partir da necessidade imperiosa do diálogo, provou-se que falar sobre o tema, levando em conta as experiências vividas e as reflexões, não só era possível como imprescindível. Hoje e desde o final do século XX a internet e as novas tecnologias têm possibilitado aos grupos presenciais, além de se multiplicarem, apresentarem-se com nova roupagem nas redes sociais.

A possibilidade do diálogo, do compartilhamento de experiência e da aprendizagem fizeram do “grupo de estudos ufológicos” uma espécie de sala de aula, ou para muitos, um laboratório social. Como diz Lipman (2001) “uma comunidade de investigação”. Por esta razão, o diálogo sobre qualquer tema que seja objeto de curiosidade do aluno, não deve ser evitado sob qualquer pretexto. Mesmo aquele pretexto muitas vezes velado da inadequação às convicções pessoais dos dirigentes. O que nos leva a sugerir uma reflexão mais profunda do professor, sobre o seu ponto de vista, em relação ao planejamento do uso pedagógico do tema UFO em sala de aula.

Ao falarmos dos grupos ufológicos como “laboratórios sociais” refletindo uma “comunidade de investigação”, nos reportamos à nossa experiência de aproximadamente 4(quatro) décadas no movimento ufológico vivendo o que se pode entender como um processo de observação participante em vários grupos. Praticamente todo esse tempo, também em ambiente escolar, ensino fundamental e médio como professor e em ambiente acadêmico como estudante sempre refletindo sobre o tema UFO, ainda que esporadicamente.

Tais situações e contextos de trocas encontram equivalente prático nas conceituações de Lipman acerca do ambiente de sala de aula como “comunidade de investigação”. Em seu esforço por “compreender aspectos do processo de aprendizagem infantil e a importância de tornar a sala de aula um ambiente significativo o suficiente para beneficiar o desenvolvimento cognitivo das crianças, ELIAS Parreira, (2005) reflete sobre a proposta do programa de Filosofia para Crianças de Matthew Lipman. Sobre a sala de aula diz ela:

“Com os pressupostos lipmanianos, observamos que o fato do aluno interagir numa comunidade de investigação, possibilita-o construir uma visão de mundo que considera o ponto de vista do outro, pois ao se atentar para o que o outro fala, desejando compreender sua intenção, o aluno tem a chance de revelar o que a idéia do outro provocou em si mesmo, experimentando as palavras do companheiro de modo a construí-las novamente e só então, atribuir-lhes sentido próprio. Ao experimentar o exercício do pensar na comunidade de investigação, a opinião do outro desperta no aluno uma pré-disposição para que ele reveja sua idéia, verificando-a quanto a sua autenticidade, consistência e significado ao sustentar sua argumentação.” (ELIAS,2005)

Garantindo-se o espaço de diálogo em sala de aula, mesmo que não haja muita informação especifica da parte do professor, os alunos poderão desenvolver seu pensamento, participando do processo de investigação, com pesquisas orientadas, com os seus relatos de experiência e pontos de vistas, suas ideias e seu pensar acerca da experiência de terceiros. E esse é afinal um dos principais objetivos da educação, desenvolver habilidades para pensar criticamente.

A presença das ciências sociais (sociologia e filosofia) no ensino médio, aprovadas em julho de 2006, pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), como disciplinas obrigatórias no currículo do Ensino Médio contribuiu significativamente para a formação de indivíduos mais críticos em relação às organizações das quais fazem parte na vida cotidiana: escola, religiões, agremiações coletivas, etc.. Nas atividades em sala de aula para estas disciplinas, os alunos apontam o desejo de exercerem um papel mais crítico, pensar melhor, tornarem-se mais participativos.

Alcance, limites e resistências

As discussões sobre o tema UFO em sala de aula, podem fazer parte do programa curricular para todos os níveis de ensino. Necessita apenas a sua inserção como tema opcional em espaços de sala de aula que o programa permitir. Pode por exemplo, reforçar o programa de atividades extraclasse como, palestras, seminários, feiras de ciências, etc.

Observamos que apesar da presença das disciplinas sociologia e filosofia no currículo, existe uma preferência ou o reflexo de uma cultura de valorização das ciências naturais nestas atividades. Em especial nas feiras de ciências, ainda persistem uma redução da presença das humanidades e têm deixado a desejar quanto a participação de trabalhos de investigação social. Predominam-se o estimulo a apresentações de trabalhos que envolvam experimentos laboratoriais no campo da física, biologia e química. Algumas vezes enfatizando a participação da astronomia e astronáutica, o que é meritório. Esse quadro, no entanto, pode representar ainda uma resistência a disciplinas como a filosofia, sociologia, antropologia,que uma vez presentes nos currículos escolares enriquecem as discussões sobre outros tantos temas reflexivos e de grande valor para a formação discente.

A filosofia, por exemplo, pode satisfazer a curiosidade natural das crianças e jovens e incentivar os seus questionamentos em vez de inibi-los à pretexto de que não se possui conhecimento científico sobre tais assuntos: Promover a criatividade e curiosidade em vez de forçá-los, pela ausência de oportunidade de discussão, a procedimentos repetitivos, “decorebas” e automatismos; Tornar a escola um lugar agradável pelo seu dinamismo e não detestável pela sua apatia e aridez; Desenvolver habilidades críticas dos alunos fornecendo-lhes as ferramentas necessárias para disciplinar o pensamento. Seja ao falar do tema UFO ou de outro tema qualquer relacionado à expressão das ideias que temos sobre a vida aqui ou em qualquer parte do cosmos.

Para Lipman, “…se a principal contribuição da criança ao processo educacional é seu caráter questionador, e se a filosofia é caracteristicamente uma disciplina que levanta questões então a filosofia e as crianças parecem ser aliadas naturais”. E ainda, “Um filosofo coloca questões que são metafísicas, epistemológicas, estéticas ou éticas, e o que é único em relação a essas questões é que perpassam diretamente as diversas áreas temáticas. Perguntar sobre o que é ético e perguntar por algo que se aplica igualmente as ciências e as artes, as profissões e a todos os outros aspectos da atividade humana. Do mesmo modo, todas as áreas temáticas têm uma dimensão estética, epistemológica, metafisica. O professor de matemática pode insistir que as crianças começam aprendendo simples operações matemáticas, mas elas podem desconcertar o professor perguntando: – ‘O que é um número?’ uma questão metafisica imensamente profunda” (LIPMAN, 2001, Pag. 50)

As mesmas resistências observadas quanto à discussão do tema UFO em sala de aula, existem para temas como, política, religião, etc. considerados temas polêmicos por tratar-se das preferências individuais. No entanto pode-se fazer discussões e reflexões sobre as diversas formas de ação política e as diversas formas de manifestação religiosa para a sociedade humana.

Da mesma forma pode-se mostrar as implicações ou relações existentes entre as interpretações para o fenômeno UFO a as convicções religiosas. Pode-se questionar as razões da ausência de estudos científicos sobre o tema; o controle da informação e do conhecimento; o papel do Estado quando considera o assunto UFO como sigiloso, face à sua relação com o sistema de defesa nacional, etc.

Por outro lado, ainda segundo Lipman, “Como adultos, aprendemos a aceitar as perplexidades que acompanham a nossa experiência cotidiana e a encará-las como fato. A maioria de nós não se pergunta mais por que as coisas são do jeito que são. É com conformismo que reconhecemos que momentos de nossa vida são confusos e enigmáticos; afinal, sempre foi assim”. (2001, p. 55)

E com essa de que “sempre foi assim” banalizamos os questionamentos tão necessários acerca da natureza do fenômeno UFO. Lembramos a história dos projetos de pesquisa UFO Estadunidenses, Sign, Grudge, Blue Book, Relatório Condon, grandes responsáveis por essa banalização, os quais, do final da década de 1940 até final da década de 1960 difundiram a ideia de que UFOs não existem, impondo ao mundo sua política de desinformação conveniente aos seus interesses belicistas e sigilosos. Embora, de 2019 para cá essa postura tenha passado por alguma mudança relativamente significativa é importante reconhecermos que houve recuos históricos.

A Comunidade vai à escola

O tema UFO pode não ser entendido pelo professor em sala de aula como relevante, face ao conteúdo programático estabelecido. Mas é por outro lado, entendido como importante pelo aluno que dele teve informações fora de sala de aula. Ou seja, a comunidade vai à escola. As informações que recebeu, em sua comunidade, o levou à reflexão e aos questionamentos em sala de aula: Disco Voador existe? O que é um UFO? De onde vem? O que fazem e o que querem aqui?

Temas correntes da atualidade como as descobertas astronômicas, a ideia de conquista espacial, as probabilidades de vida fora da terra, entre outros, principalmente, quando contam com a participação de jovens e crianças trazem a contribuição de questionamentos originais. Muitos deles relacionados aos UFOs.

O desenvolvimento tecnológico e científico, hoje, cada vez mais acelerado, com um poder cada vez mais concentrado em mãos privadas, pode ser objeto de reflexão e permitir ao professor mostrar as potencialidades e fragilidades de nosso modelo de desenvolvimento em relação ao futuro próximo da humanidade e pode também permitir reflexões sobre as suas limitações metodológicas para o conhecimento do problema ufológico.

As religiões, embora tenham em comum um papel regulador do comportamento em bases morais, possuem diferenças que fazem delas modelos diferentes de explicação da realidade para grupos humanos e não um modelo hegemônico para toda as culturas e nações da terra. Assim também acontece com as diferentes interpretações para o fenômeno UFO, cuja variante principal está no fato de que o fenômeno UFO fica na “berlinda” destes olhares. Ou seja, frente às limitações e potencialidades dos diferentes modelos presentes num mundo globalizado.

Estratégias pedagógicas

Basicamente, se a discussão em sala de aula sobre o tema UFO se encaminhar para uma discussão sobre a avaliação científica dos eventos ufológicos, o professor perceberá as dificuldades que existem para fazer a verificação e controle dos fenômenos tomando por base noções básicas de metodologia científica. Verá por exemplo: a pouca validade dos relatos e testemunhos, documentação fotográfica e videográfica de baixa qualidade, fraudes, etc. mas verá por outro lado, um certo número de indícios válidos super desconcertantes relativos a experiências de contato e declarações de autoridades quanto a dificuldade de controlar e dar respostas a natureza do fenômeno. Ou, ainda, paradoxalmente, declarações de que o fenômeno não existe e que são coisas da imaginação popular.

Pela via da ciência, pode-se falar, além dessas limitações citadas, próprias da temática ufológica, das limitações do próprio modelo cientifico na busca de respostas para os UFOs; mais ainda, do valor do imaginário popular para a compreensão da vida em sociedade, além da possibilidade de falar do fenômeno enquanto provocador dos referenciais individuais e coletivos e das potencialidades do modelo científico numa perspectiva interdisciplinar.

Há evidentes dificuldades de explicação e compreensão científica para a fenomenologia ufo, nas suas especificidades, caso a caso e na sua totalidade. O fenômeno viola o sentido intuitivo dos sólidos e volumes, domina a gravidade e outras propriedades da matéria que entendíamos estarem baseadas em leis universais invioláveis. O problema tende a continuar desafiador pelas próximas gerações e deverá contar com a autoridade da ciência para avançarmos na sua compreensão.

A reflexão em sala de aula pode ser feita procurando ampliar os referenciais dos alunos. Evitando “respostas absolutas”. Pode-se falar das alternativas possíveis, das probabilidades de uma afirmação ser falsa ou verdadeira acerca da natureza e origem do fenômeno UFO. Apesar das dificuldades em lidar com a sua natureza e origem, hoje ele é uma realidade incontestável.

Como esse questionamento acerca da natureza e origem, perpassa a discussão sobre ideologias e crenças religiosas, surgirão perguntas que não poderão ser respondidas sem tangenciar questões de fé.

Conforme diz LIPMAN em relação ao comportamento do professor de filosofia – e estendendo como um princípio aos professores de quaisquer outras disciplinas, principalmente, onde se der a discussão sobre o tema UFO – “jamais caberá ao professor criticar ou procurar minar as crenças religiosas das crianças mesmo que indiretamente. O professor simplesmente não pode invadir a área das crenças religiosas das crianças sem ser acusado de doutrinação. Por outro lado, não há nenhuma objeção séria em proporcionar às crianças uma visão do leque de alternativas a partir do qual os seres humanos, em diversas partes do mundo, selecionam suas crenças”. (LIPMAN, 1994)

As religiões não negam a existência do fenômeno. Não é raro encontrar pronunciamentos de religiosos em debates sobre o que seja o fenômeno UFO. Embora suas interpretações possam ser relativamente diferentes, praticamente todas as grandes religiões quando abordam o assunto, mencionam registros de fenômenos semelhantes ao fenômeno UFO, em seus livros sagrados ou de referência. O que tem causado uma maior preocupação aos estudiosos do tema UFO e das religiões são as chamadas “religiões novas” e mais ainda os movimentos de caráter místico/religioso que têm surgido a partir de indivíduos que se dizem “contatados” de seres extraterrestres, cujo fanatismo já levou grupos humanos ao suicídio, a exemplo da seita Heaven’s Gates(3).

Por um ensino crítico e transformador

Considerando a experiência de professores que ousaram pensar o tema em sala de aula, percebemos o quanto tem sido saudável tratar as várias hipóteses para a explicação da natureza e origem do fenômeno UFO para alunos de ensino fundamental e médio. Os questionamentos são variados e profundos. Observa-se que os alunos se prendem à hipótese da origem extraterrestre para os UFOs por ser a mais atraente e provocativa, passam rapidamente pelas demais hipóteses relativas a artefatos conhecidos e só voltam a elas vez ou outra, permitindo-se filosofar sobre um outro, extraterrestre, em contato.

Nos procedimentos de sala de aula, reúnem-se informações adquiridas das mais diversas fontes. Relatos de parentes, mitos e lendas do folclore regional, boletins e revistas, experiência em grupos ufológicos, informações de internet veiculadas nas redes sociais, reportagens de jornais e televisão, etc., caracterizam as fontes de referências dos alunos.

É particularmente importante criar as condições para que o aluno se sinta livre para imaginar a possibilidade de um outro em contato. Possibilitando o desenvolvimento das habilidades de raciocínio, de formação de conceitos, de investigação, de significação e resignificação, de construção de novos referenciais.

No entanto, continuando as orientações de Matthew Lipman citadas acima “Sempre é triste quando um professor, por prepotência ou ignorância, tenta modificar as tendências religiosas das crianças na sala de aula. Essa invasão da integridade intelectual da criança representa não só uma falta de respeito por ela, mas também uma interpretação errónea, por parte do professor, da natureza da ciência, da natureza da filosofia e da natureza da educação.” Para Lipman, é duvidoso que quaisquer conhecimentos científico ou filosófico possam desfazer, de um ou outro modo, as crenças religiosas. Uma vez que se trata de questões de fé.

Esta é uma orientação relativa a abordagem religiosa no programa de filosofia para crianças, perfeitamente válidas para a discussão do tema UFO em sala de aula, em quaisquer níveis de ensino ou comunidades de aprendizagens.

Entendemos que o tema UFO, pode compor o conteúdo de aulas expositivas ou o elenco de temas para desenvolvimento de atividades individuais ou em grupos. Porém, é importante que a sugestão parta dos alunos ou a escolha seja feita por eles, a partir de uma lista sugerida pelo professor ou elaborada com a participação de todos os alunos.

Para Osima Lopes, “a opção do professor por um ensino crítico e transformador somente se concretizará através de uma sistemática de planejar seu trabalho de forma participativa e problemalizadora, que ouse dar oportunidade para o aluno reelaborar os conteúdos do saber sistematizado, com vistas à produção de novos conhecimentos”. Lopes et al. (1996) p.51

O que ocorre quando da negação do professor em refletir sobre temas novos é a afirmação de temas proibidos, o que não combina com liberdade de expressão e pensamento, além de prejudicar o desenvolvimento do aluno. Promove-se com tal atitude o surgimento de mais preconceitos e estereótipos.

Notas

(1) UFO – Unidentfied Flying Object ou OVNI – Obleto Voador Não Identificado.
(2) Para os objetivos deste artigo entendemos as hipóteses de origem para os UFOs: a) de origem extraterrestre; b) de viajantes do tempo e c) oriundos de densidades dimensionais, em seu sentido mais geral, como provocadoras de alterações semelhantes nos nossos referenciais.
(3) Heaven’s Gate foi uma seita UFO americana liderada por Marshall Applewhite e Bonnie Nettles. Em 26 de março de 1997, quando o cometa Hale-Bopp estava no seu brilho máximo, a polícia encontrou os corpos de 39 de seus membros, que haviam cometido suicídio coletivo.

Referências

  • ELIAS. GIZELE G. PARREIRA, Tese de Mestrado em Educação intitulada “MATTHEW LIPMAN E A FILOSOFIA PARA CRIANÇAS”, defendida em 2005. Universidade Católica de Goiás – GO
  • HEAVEN’S GATE (SEITA). In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2021. Disponível em:
    <https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Heaven%27s_Gate_(seita)&oldid=62250573>. Acesso em: 16 out. 2021.
  • LIPMAN, Mathew. “A Filosofia na sala de aula” (…) São Paulo: Nova Alexandria, 1994. P.50
  • LOPES, Antonia Osima. Planejamento do Ensino Numa Perspectiva Crítica da Educação. In: VEIGA, Ilma Passos Alencastro et al (org.). REPENSANDO A DIDÁTICA. 12. ed. Campinas: Papirus, 1996. Cap. 9. p. 41-52.

Colaboração: Cláudio Santos

(Fonte)


Agradecimentos ao Cláudio Santos e toda a equipe da Latin American Academy of Scientific Ufology, pelo envio da matéria e permissão de publicação.

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