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NASA poderá decidir este ano se enviará sonda para lua de Saturno

Tempo de leitura: 3 minutos
NASA poderá decidir este ano se enviará sonda para lua de Saturno
Titã, a maior lua de Saturno.

A espaçonave que espiou através da neblina amarelada ao redor da lua de Saturno, Titã, descobriu um mundo misterioso, mas estranhamente familiar, onde a vida poderia, teoricamente, criar raízes. Agora, os cientistas querem voltar – desta vez impulsionados pela fascinação da Terra pela tecnologia dos drones.

É exatamente isso que uma equipe de cientistas que trabalha em uma missão proposta chamada Dragonfly quer fazer: combinar tecnologia de drones terrestres e instrumentos aperfeiçoados pela exploração de Marte para investigar as complexas reações químicas que ocorrem na maior lua de Saturno. Ainda este ano, a NASA precisará decidir entre essa missão e outra proposta finalista, que coletaria uma amostra de um cometa.

Melissa Trainer, vice-investigadora principal da missão e cientista da NASA, disse ao site Space.com:

À primeira vista, acho que muita gente acha que [a Dragonfly] soa como o significado literal de incrível. Não é apenas um conceito incrivelmente empolgante, com uma ciência impressionante e convincente, mas também factível – é viável do ponto de vista da engenharia.

A Dragonfly (Libélula, em português) se escolhida, teria o objetivo de lançar em 2025 e chegar a Titã em 2034. O mundo que irá explorar é estranhamente reminiscente da Terra para uma estranha lua tão distante. Na Terra, a luz do Sol alimenta a vida orgânica que cresce em campos e florestas; a mesma luz do Sol desencadeia reações químicas na atmosfera superior de Titã, que criam grandes moléculas orgânicas que caem na superfície daquela lua, como a água da chuva da Terra. Enquanto a Terra tem uma paisagem feita de rocha coberta por água, a paisagem de Titã é feita de gelo coberto por compostos orgânicos.

O conhecimento dessas características de Titã vem principalmente de dados coletados pela missão Cassini ao sistema de Saturno e à sonda Huygens que viajou com a Cassini e pousou em Titã em 2005. Juntas, essas duas espaçonaves remodelaram completamente as idéias dos cientistas sobre aquela lua.

Elizabeth ‘Zibi’ Turtle, investigadora principal da Dragonfly e cientista planetária do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, disse à Space.com:

Não sabíamos como Titã funcionava como um sistema antes que a Cassini chegasse lá. Tivemos dicas tentadoras, mas a Cassini e a Huygens realmente mudaram nossa ideia, mostrando que essa lua misteriosa é lugar que é incrivelmente familiar.

A Cassini realmente nos mostrou Titã como um mundo e como funciona e os diferentes processos que estão agindo sobre ela.

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A representação de um artista mostra cada estágio da missão Dragonfly proposta, incluindo o pouso na superfície de Titã, fazendo ciência no local e se mudando para um novo local de trabalho. Crédito: Johns Hopkins APL

Mas a Cassini nunca teve uma boa visão da superfície através da espessa atmosfera daquela lua, e uma vez que a sonda Huygens pousou, ficou sem bateria em meras horas. Se tudo correr bem, a Dragonfly poderá explorar dezenas de locais ao longo de dois anos terrestres. E alguns aspectos da missão proposta não são tão difíceis quanto você poderia esperar.

Considere pousar, por exemplo. Trainer, que também trabalha com o jipe-sonda Curiosity em Mars, lembra bem os chamados ‘7 minutos de terror‘ durante a aterrissagem repleta de ação do jipe-sonda, enquanto a espaçonauta lutava para desacelerar rapidamente o suficiente para pousar de forma suave.

Ela disse:

‘Comparado a isso, aterrissar em Titã é apenas esse vagaroso e suave flutuar até a superfície. Demora algo como mais de 2 horas por causa dessa atmosfera densa.

Essa atmosfera, que Trainer comparou a um travesseiro, combinada com a baixa gravidade daquela lua (cerca de um sétimo da força da Terra) também torna a colocação de uma nave em uma distante lua muito mais viável. Com seu projeto de rotor-cóptero, a Dragonfly pode levantar-se da superfície e voar para longe usando a fonte de energia nuclear que a NASA tinha disponível para essa classe de missão…

Essa ciência irá abordar a química em Titã. Os cientistas sabem que a essa lua abriga enormes quantidades de compostos orgânicos, mas a Cassini e a Huygens não coletaram dados suficientes para esclarecer os detalhes da química do planeta. A Dragonfly seria capaz de identificar compostos orgânicos precisos, para que os cientistas pudessem determinar o quão próximas as moléculas de Titã são daquelas que a biologia terrestre depende.

Turtle disse:

A Dragonfly é, antes de tudo, uma missão para entender a química prebiótica. O que aconteceu para passar da química para a biologia?

É claro, não podemos estudar isso na Terra, porque a biologia meio que sobrecarregou tudo, mas Titã é na verdade o lugar mais parecido com o início da Terra no sistema solar…

Se a Dragonfly irá decolar agora depende da NASA. A equipe da Dragonfly enviou um relatório conceitual detalhado em dezembro, e espera uma decisão da agência neste verão. Os membros da equipe disseram que acreditam ter feito um argumento convincente para a ciência que a missão poderia fazer e sua viabilidade.

(Fonte)

Colaboração: Lênio