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Como uma explosão nuclear perto de Moscou foi abafada nos anos 1970

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A chamada “Hiroshima de Ivanovo” pode ter levado à contaminação radioativa de um dos cursos de água mais importantes da União Soviética – o rio Volga.

Como uma explosão nuclear perto de Moscou foi abafada nos anos 1970
Crédito da ilustração: pixabay

Em 19 de setembro de 1971, uma explosão nuclear subterrânea abalou uma área nas margens do rio Chatcha, na região de Ivanovo. Por quase três semanas, um poderoso jato de água e gás escapou do subsolo e expeliu substâncias radioativas na superfície. A distância do local do acidente até a Praça Vermelha de Moscou era de apenas 363 km…

O acidente

A explosão nuclear camuflada (subterrânea) nas proximidades da capital soviética não foi acidental. Desde 1965, a URSS vinha realizando seu programa “Explosões Nucleares para a Economia Nacional”, cujo objetivo era criar lagos e canais artificiais para conectar rios, e pesquisar e desenvolver depósitos de recursos subterrâneos.

Supunha-se que, por meio de detonações subterrâneas, a radiação seria impedida de atingir a superfície e contaminar o meio ambiente. A explosão no local de detonação da região de Ivanovo, conhecido como Globus-1, no entanto, provou ser uma exceção desagradável.

Inicialmente, tudo correu conforme o planejado. Uma carga nuclear de 2,3 quilotons (seis vezes menos poderosa do que a bomba lançada em Hiroshima em 1945) foi colocada no fundo de um poço perfurado a uma profundidade de 610 metros e preenchido com cimento.

A explosão foi realizada no horário planejado – às 16h15 -, mas 18 minutos depois, a um metro do poço, um jorro estourou do solo trazendo à superfície águas subterrâneas radioativas, gases, areia e argila. Mais tarde, ficou evidente que o trabalho de cimento havia sido executado de maneira inadequada.

Com a explosão, que durou vinte dias, uma área de até dez mil metros quadrados foi contaminada. Na esteira do acidente, a área mais afetada foi descontaminada, enquanto alguns dos equipamentos tiveram que ser abandonados no local.

Desastre abafado

Os moradores da aldeia de Galkino, a 4 km do local do acidente, foram informados de que a exploração de petróleo por meio de explosões subterrâneas estava em curso nas proximidades. Mas as pessoas desconheciam completamente que havia radiação envolvida.

As pessoas da aldeia (sem falar no país em geral) não foram informadas sobre o desastre nuclear. Uma placa dizendo “Área Proibida em um raio de 450 Metros” foi colocada e isso foi tudo. Nada foi feito para impedir os jovens locais de explorarem a área. Dois meninos que entraram na cratera do local da explosão começaram a definhar rapidamente e morreram pouco tempo depois. A causa oficial da morte foi registrada como meningite.

Região de Ivanovo, 30 anos após a tragédia. Crédito: Nikolai Moshkov

Os moradores locais continuaram a visitar regularmente Globus-1, resgatando equipamentos abandonados pelos cientistas, pastando gado e colhendo cogumelos e frutas na zona rural próxima. Nesse ínterim, nos distritos vizinhos da região de Ivanovo, casos de doenças oncológicas começaram a disparar, bebês nasceram prematuramente e abortos espontâneos eram frequentes. Foi registrado até o caso de um bezerro que nasceu com duas cabeças.

A “Hiroshima de Ivanovo”, como o acidente foi posteriormente apelidado, afetou não apenas a população local, mas também os cientistas que ali trabalharam. Em 1975, o sismólogo V. Fedorov, de 44 anos, encarregado dos preparativos para a explosão e de sua execução, ficou completamente cego.

Debandada geral

O acidente Globus-1 colocou não apenas as aldeias da região de Ivanovo em perigo, mas também grandes conurbações. Se o rio Chatcha tivesse mudado de curso e “forçado” seu caminho para dentro do poço, ele teria sido imediatamente exposto à contaminação radioativa. Considerando que o Chatcha é um afluente de um dos rios mais importantes do país, o Volga, a vida e a saúde de milhares de pessoas estariam ameaçadas.

As autoridades soviéticas e, posteriormente, russas, monitoraram constantemente a área contaminada, que fica perto de Moscou, além de implantar medidas de descontaminação.

Paralelamente, o Chatcha foi desviado por um canal diferente, distante da zona de perigo.

Hoje em dia, o Globus-1 continua sendo fonte de atenção. Uma radiação de fundo de 600 microroentgens por hora permite que as pessoas permaneçam ali por um tempo reduzido (até 50 microroentgens por hora é considerado um nível normal para humanos). Além disso, em certas áreas o nível de radiação é superior a 3.000 microroentgens.

Cientes da ameaça, os moradores locais começaram a deixar Galkino, que hoje se tornou uma vila fantasma. Dezenas de milhares de anos serão necessários para que a área de Globus-1 esteja completamente segura mais uma vez.

(Fonte)


Eis aí uma boa razão para os “visitantes de fora” ficarem atentos quanto ao nosso uso de armamentos e tecnologia nucleares. A raça humana não é confiável mesmo quando representada em sistemas de governo “democráticos e livres” (aspas propositais), imagine então quando se trata de um governo totalitário, onde os fins sempre vão justificar os meios.

– n3m3

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