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O que devemos fazer se um dia encontrarmos vida extraterrestre? Eis a opinião dos cientistas

Tempo de leitura: 3 minutos

 

O seguinte artigo foi publicado no site da BBC

O que devemos fazer se um dia encontrarmos vida extraterrestre? Eis a opinião dos cientistas
GETTY

Não é uma pergunta que nos fazemos todos os dias, mas há pessoas que dedicam suas vidas a obter a resposta para um dilema que poderia afetar o curso da humanidade.

Como devemos reagir se um dia formos contatados por inteligência extraterrestre?

Clássicos como Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg, o hit dos anos noventa Independence Day, com Will Smith e mais recentemente A Chegada, de Denis Villeneuve, que teve oito indicações ao Oscar em 2016, despertam muito interesse nessa pergunta.

Mas agora um grupo de astrônomos, físicos e astrobiólogos de prestigiadas universidades britânicas querem levar a questão a um cenário real e as ouvir as opiniões das pessoas sobre o que devemos fazer se formos contatados por outro planeta.

Estes cientistas fazem parte da Rede de Pesquisa para a Busca de Inteligência Extraterrestre do Reino Unido (UKSRN, na sigla em inglês), que lançou recentemente uma pesquisa global que qualquer um pode responder dando sua opinião sobre como devemos reagir a um possível contato alienígena.

Clique aqui para ver o questionário em inglês

Há um plano?

A pesquisa inclui perguntas como “se fosse descoberto que há inteligência extraterrestre, o que você faria?” e “o que você considera uma fonte confiável para obter informações sobre o contato extraterrestre?” e dá opções de respostas. Também perguntam quem deveria, se é que alguém deveria, controlar mensagens da Terra para extraterrestres.

O objetivo da pesquisa é ouvir a opinião das pessoas para fazer planos em caso de haver um encontro com inteligência alienígena.

Embora as organizações independentes dedicadas a encontrar contato extraterrestre desenvolvam diretrizes e protocolos em caso de isso acontecer, a verdade é que não há nenhum plano oficial internacional.

“Nunca houve qualquer protocolo de governos ou organizações globais como as Nações Unidas,” diz à BBC Mundo Douglas Vakoch, presidente da Mensagens para Extraterrestres Inteligentes (METI, na sigla em inglês), uma organização dedicada ao envio de sinais interestelares.

Em relação a esses protocolos, Vakoch explica que nenhum desses documentos tem “força legal”.

Então, se não há nenhum plano definido, como devemos agir se um visitante cósmico vier nos cumprimentar? Esta questão gera debate entre os estudiosos do assunto.

O que deveríamos fazer?

Para alguns, a discussão começa a partir do modo como a pergunta é feita.

“Mesmo na Terra achamos difícil chegar a um acordo sobre o que entendemos por inteligência, o que entendemos por vida e o que entendemos por comunicação”, diz à BBC Mundo o astrofísico Charley Lineweaver, pesquisador do Instituto de Ciências Planetárias da Universidade Nacional da Austrália.

“Com tantas incógnitas, é difícil fazer uma pergunta bem definida”.

No entanto, em meio a tanta incerteza, Lineweaver acredita que é essencial, ao nos fazermos essas perguntas, “nos desfazer do que Hollywood fez com as nossas opiniões sobre alienígenas.”

Vakoch diz que há décadas a discussão centrou-se nas condições sob as quais uma resposta deveria ser enviada, se seria uma resposta genérica ou se dependeria do tipo de sinal a ser recebido, qual deveria ser a mensagem, se seria melhor enviar uma única mensagem ou de vários países. Essas são algumas das perguntas que circulam.

Vakoch, em todo caso, não tem dúvida do que, segundo ele, deveria ser feito.

“Uma vez que detectemos a primeira civilização alienígena, temos que responder”, diz ele.

O METI, um instituto dedicado à busca de inteligência extraterrestre que contou com o apoio do cosmólogo Carl Sagan, reconhece que as possibilidades de detectar a inteligência extraterrestre “podem ser baixas”.

De qualquer forma, seu protocolo diz que se um contato extraterrestre for confirmado, o Secretário Geral das Nações Unidas deve ser notificado e as provas devem ser fornecidas, e elas também devem estar disponíveis para toda a comunidade científica.

“A detecção de inteligência extraterrestre deve ser disseminada de maneira aberta e oportuna por meio de canais científicos e da mídia”, diz o documento do METI.

Para Vakoch, apesar de os protocolos clamarem por um consenso no caso de um sinal ser detectado, “na realidade qualquer um com um transmissor pode fazer o que quiser”, explica ele. “Seria impossível impor um silêncio global” e, para ele, embora isso possa parecer caótico, não seria algo necessariamente ruim.

“A consequente cacofonia da Terra proporcionará aos alienígenas uma apresentação comovente da humanidade, revelando o fato de que nem todos falamos com uma só voz.”

Oportunidade ou ameaça?

Vakoch acredita que a melhor maneira de se preparar para um primeiro contato é enviar todo tipo de mensagem para o espaço, desde músicas e fotos até códigos de computador.

“Devemos dar-lhes oportunidades para nos entender”, diz ele.

Mas nem todos concordam em tentar um contato extraterrestre.

“Se os alienígenas nos visitassem, o resultado seria muito semelhante ao que aconteceu quando Colombo chegou à América”, disse o físico Stephen Hawking em entrevista ao canal de televisão Discovery Channel em 2010. “Os americanos nativos não se deram bem.”

Hawking, apesar de apoiar projetos de contato extraterrestre, também chegou a dizer que esses encontros seriam “um desastre” e que, em vez de buscar contato, era melhor “manter a cabeça baixa”, como disse à National Geographic em 2004.

Outros, no entanto, concordam com o otimismo de Vakoch.

“Quando se trata de alienígenas, devemos nos preparar para passar uma boa impressão”, diz o astrofísico e escritor Ethan Siegel à BBC Mundo.

“Muitas pessoas inicialmente terão medo de todo tipo de consequências negativas que podem ser imaginadas, mas (o contato extraterrestre) seria o ápice da esperança, da oportunidade de sermos humildes diante de tudo que a natureza tornou possível.”

“Seria uma grande oportunidade para nós, como civilização, tentar abrir caminhos no universo.”

(Fonte)

Colaboração: Marcelino, Lênio

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